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Mostrando postagens de maio, 2024

Grande Vermelho

Grande Vermelho [Sobre Jonathan Portela.] O Grande Vermelho nos julga Com o seu esquisito lacaio Ele faz nós nos sentirmos culpa Por não termos estudado. O Grande Vermelho humilha O Lazarento e o Boné A esperança deles assassina Enquanto falamos "coé". Falou algo de mineração Mas eu estava que nem uma cadela Fazendo um poema loucão Entre a sufocante passarela.

Síntese da flor manchada de sangue II

Síntese da flor manchada de sangue II Maldito seja o céu azul, que não me deixa voar, algo que nunca poderia ter algo que só consigo sofrer. As nuvens que de mim caçoam, restrição que mata a vontade, maldição que sufoca à vontade, e que tudo acima de mim desabe. Que corroa o éter do mundo, e que deixe cego a minha visão, a sonhadora que si própria engana e que já não tem mais as nossas façanhas. A voz que me deixa destruída e que apaga a alma construída, capricho da obsessão furou a palma da minha mão. O peso do nada nos meus ombros não se conecta aos escombros, angústias grudadas nos meus seios. Do vazio eu vim e pelo visto terei que com ele ficar o maldito receio de saber que o Vazio por si só já é cheio.

Síntese da flor manchada de sangue I

Síntese da flor manchada de sangue I Eu só preciso tentar não me cortar eu só preciso tentar não me afogar eu só preciso tentar não me espancar eu só preciso tentar não me estrangular eu só preciso tentar não me matar mas eu queria ter sido abortada eu queria ter sido esfaqueada eu queria ter sido assassinada eu queria ter sido aprisionada eu queria ter sido algo eu queria não ser uma desgraçada eu queria não ser uma depressiva eu queria não ser uma repulsiva eu queria não ser uma nojenta eu queria não ser uma egoísta eu queria não ser autodestrutiva eu não queria ter sonhado eu não queria ter vivido

Saudade

Saudade Eu não consigo explicar esta saudade Que tenho ao de ti muito longe ficar Um grande abismo entre as nossas cidades Tão forte são as ondas que batem no mar Mar que me atrai, mar que me afunda Que me cospe de volta pra baía Onde a chuva cai, não me confunda Com as lágrimas que de mim saíam Dificuldade de chorar corrói Esse sentimento me assusta Saudade canta, saudade dói Saudade planta, saudade acústica Canto calada, esperando passar Que não deixa um "eu te amo" gritar Num canto, calada, muito pesada Não é o mar, eu mesma faço eu morrer Minha ansiedade faz eu tremer Todo dia eu tento não ceder Todo o tempo eu querer te ter Um ser de miséria não quero mais ser

Que toda dor e miséria recaia sob os monstros que habitam o meu corpo, isso se não forem eu mesma

Que toda dor e miséria recaia sob os monstros que habitam o meu corpo, isso se não forem eu mesma Minha imaginação Esfaqueia meu coração Sou jogada no chão E espancada sem ter perdão Pílulas de obsessão Deixam-me com fome. sem pão Desgraça, destruição Bomba ambulante, explosão O meu violão me contou ontem Que já sabe qual música irá Tocar quando eu pular desta ponte Por que as nuvens não param de girar ? Eu não consigo respirar Eu não consigo mais pensar Mas eu consigo dormir E eu não quero mais sair O sono lentamente me mata A insônia gentilmente me salva Meu corpo rapidamente se acaba E a mutilação agressivamente me marca Eu não sei se tenho direito de viver E eu não sei se tenho direito de morrer Minha cabeça pesa, dói muito Deu um grande problema, curto-circuito "Eu devia me matar" no meu ouvido ressoa Todo sofrimento é pouco para minha pessoa Com a faca na mão, eu não paro de tremer A minha violência não para até eu morrer

Encomenda de Isforia

Encomenda de Isforia Minha pele se descola da carne Para voltar atrás já é muito tarde Do todo, esse problema faz parte E esse fato sempre me alarde No meu rosto, nascem vários espinhos Eu tiro eles, mas nascem de novo Meus braços e pernas queimam num ciclo Que não acaba, de novo e de novo Sou afogada num mar de estresse Sou estilhaçada em mil pedaços Sou jogada num vácuo que só cresce Um infinito maior que o outro. Engole meus traços Acordo dum sonho querendo outro Que em mim apareça uma vagina Este meu quarto tem cheiro de couro Mas não tem janelas para se misturar com a brisa Mas tem o maldito isolamento Ecoa a cacofonia da guerra Há uma coletânea de lamentos Onde o maldito vidro não se quebra "Agatha" é constantemente calada Não tem boca, mas precisa dum grito Para  extravasa r essas desgraças E desmaiar no canto dos cantos destes pífios grilos