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Mostrando postagens de 2026

Afoitisse

Afoitisse Menino afoito não come biscoito Menina afoita tropeça na moita Menine afoite do boi leva coice [26 01 2026]

As Poesias de Maria Laura

As Poesias de Maria Laura 2022. Naquela escola hedionda (E qual não é?) lembro-me Que escrevias poesias Em teu caderno ou diário. Na época, eu não era poetisa. Talvez eu tenha lido algumas, Não recordo-me tão bem. Se li, esquecia-as. A vida te torturava. Lembro-me também que desenhavas. Desejo nosso reencontro, Que não tenhas abandonado a vida, As artes, as tuas artes sensíveis e ternas. Terias orgulho do que escrevo? [26 01 2026]

Moritura

Moritura Minhes amigues são fantasmas — pasmem! — com asma. Recontando sobre a vida passada, E como passa! O Amigo do Sol Descansa, sentado, na tapeçaria, Intransponível e lúcido. Aquelas me abraçam, zelam por mim, Ficam comigo quando e enquanto adormeço, Penteiam de verdade minha cabeleira, Expurgam a pedofilia e os anjos. A saudade aperta acusticamente... O server do Gabs, do Mr. Guinas, do Peepo, da Soberana, — Das TransGays Malucas! Violeta Blake, Maria Laura, Lya, Manuela, Diyasmine, Millie, Murilo, — aquele Forever Alone —, Hachi, Guga, peixinhos que não lembro o nome...e etcétera. Quero rasgar minha garganta De tanto gritar! Meu coração cerra-se! A nova vida me apavora, me aflita! Mas e o Dennis, e o Éden, e a Mel... E a saúde dos oráculos Já decrépitos, estão Leucêmicos! ...Mas os vermes mal morrem. Ainda estão vencendo, Cercando nossos corpos, Não calam a boca. Quero levar meus óculos. Quero levar meu violão. Quero levar meus livros. Quero levar minhas poesias. E quero ...

Busto de Safo

Busto de Safo Quedo-me absorta em teus lábios de marfins vários! Voluptuosos, fuscos, glaciais...amargos Pela salsugem do verme que não te quis!... — Por tua ausência em Lesbos, chovem sós letargos... Teu distante olhar d'ouro oxidado, moroso, As almas penetrando com súplicas mistas... Tuas bochechas de nácar sem algum gozo, Mas coradas por novos séculos de artistas... O nu queixo de jade luz a nênia — prêmio!... Entalhadas em mogno as sobrancelhas graves... Cabeleira enrolada e argêntea pela práxis... O abismo que deixaste no coração fêmeo Das moças sem estrógenos, seios, vagina!... — Como punge-me, como sangro, minha amiga! [18 01 2026]

Meu corpo coberto pelas violetas

Meu corpo coberto pelas violetas (A morte das autoras nunca, — repete-se —,                                              [nunca se aplicou. Mesmo depois de mortas as autoras.) As dores me tornaram cega. Mas não vejo Eigengrau. Não vejo o Nada, não vejo o Abismo. Não vejo a Foice tonitruante. Eu vejo Gris e sua melodia. Eu vejo a Lira de mil sentidos e de mil                                                      [sentimentos. Eu vejo a extinção da palavra "agridoce". Minhas irmãs seguram minha mão, Me fazem cafuné, cosquinhas, Pegam e compartilham o mel (— Ah, quando eu botava a ração na minha Palma pra finalmente a Melzinha comer...), Tornam a brisa suave, Espiam a brasa do lume, Filtram o fel, Dominam a entropia, Atenuam a menstruação Do Sol...

ciclo distímico da orquídea

ciclo distímico da orquídea rejeito minha humanidade flor da catástrofe torno-me uma só com a morte, apoteose não preciso de coisas/sentimentos triviais como amor, esperança, carinho, prazer não preciso de sorte, acaso, tinha um frasco, panaceia falsa não precisa ser humane pra ter humanidade mas rejeito a humanidade, cansei sou a deusa do meu próprio poema? das minhas próprias lágrimas? sei que delas não sou dona suicídio é meu conforto hematomas pelas ausência feminina antro da maldade cada surto eu guardando só pra mim pra ninguém perder tempo com a aberração que eu sou até eu kaboom yin-yang contei minhas piadas sem graça para tentar delas conseguir uma pequena risada matei meu yin e a yang ficou sem a blake no momento em que me divido, mais sangue encontra-se absorver o abismo antes dele sequer olhar a mim o que machuca mais aqui, chorar, fingir que estou bem, não salvar? não salvar? elas sofrem mais que eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu não aguento ver elas sofrerem meu coração explo...

Venezuela

Venezuela Quando a águia sobrevoa nosso vizinho, Os abutres rasgam os órgãos inocentes, Despenca o condor, asas cortadas, sem ninho, E os corvos comem as veias abertas, quentes... Quando a vermina do norte infesta o mar, Quem pesca a sobrevivência voga à praia, E sem parar, o choro familiar, Junto dos destroços do barco, se espraia... Quando as bombas somem com as crianças, O sangue do povo latino grita, Sangue negro e rubro alçando esperanças, "Luto" é verbo até que o império se extingua; Liberais e fascistas comemoram, aplaudem, Mas o condor se reerguerá pela justiça, Mais espalmado e mais radical pra se alastrarem Mais as chamas dessa fênix que à vitória atiça! [11 01 2026]