Vênus
Vênus
Estou começando a achar que tu és a mais amarga
divindade de estar longe, tu és tão grandiosa, enquanto eu,
tão pequena, tão fútil, nunca esteve tão claro,
eu sou nada comparada a ti, o planeta que nunca será meu.
Tu estás num nível elevado, superior, tu se transmutaras,
ó corpo celeste, és ascendida às estrelas, inacabável,
no infinito espaço tu és o todo, enquanto eu, caço
a saída do meu mísero globo, maldito e desagradável.
Querida Vênus, tu és completamente inefável,
acho que eu não conseguirei causar nem mesmo um mísero orgulho a ti,
etérea perante tudo que orbita ao teu redor, és adorável,
a mais linda perante ao resto do panteão, da borda do Cosmos até aqui.
Enquanto eu, sou a antítese do Sol e a filha fracassada da lua.
Todas as estrelas exijam que eu me torne poeira
e todos os serafins desejam que eu suma.
Tu ofuscas-me junta da escuridão e das sombras,
eu me perco num devaneio desprendido
da existência do universo, que a mim é contra.
Tão efêmera é a minha existência, qual o porquê
de eu conviver na mesma galáxia da tua eternidade
se eu vou morrer que nem qualquer uma? A você,
eu não passo da causa da tua enfermidade?
Para que existo se nunca serei um ideal para você?
Para que vivo se nunca chegarei a tua beldade?
Para que respiro se nunca poderei estar à tua mercê?
Para que exijo se eu estou afogada em indignidade?
E, mesmo que se um dia eu melhorar,
mesmo que se um dia eu superar minhas dores,
eu sou aterrorizada com a possibilidade
de tu não conseguires mais me encontrar,
de eu ainda não ser digna da coroa de flores
e não poder suportar a tua grandiosidade.
Eu não sei se eu, uma mortal, posso te suplicar
para não desaparecer do céu, eu ainda quero te contemplar.
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