Escute, Minha Guerreira
Escute, Minha Guerreira
Escute, minha guerreira,
Esse seu vasto reino
Que você tem levado em seus seios
É mesmo tão imperfeito assim?
Voe para clamar sua essência,
O abismo persegue às nuvens,
Grilhões ao ar marcam passadas ferrugens
E apagam o meu fantasma infeliz.
Você, com o eclipse, começa o dia,
Céu de sangue sempre me remeteu
Ao seu cabelo, igual esta fita
Que me laça ao infindo breu,
Pensei que em você me prenderia,
Mas só se esqueceu
De se amarrar forte em minha vida.
A melodia da perda me envolve,
A chuva não lava minha pele de verme,
O manancial à guerra me devolve,
Cicatrizes invisíveis me fecham,
Se fundem até minha alma ficar muda,
Sós não podem ser apreciadas,
A lâmpada negra tira a minha luz
E me interpreta ao nada.
Esse seu vasto reino
Que você tem levado em seus seios
É mesmo tão imperfeito assim?
Voe para clamar sua essência,
O abismo persegue às nuvens,
Grilhões ao ar marcam passadas ferrugens
E apagam o meu fantasma infeliz.
Gira a roda desenhada,
Mas não vamos sair do lugar,
Toca o sino da antiga casa,
Me estrangulo para lhe esquentar,
O corpo traz a fome mal moldada,
Não bato mais minhas asas impuras,
O vento não me leva e nem me apaga,
Não rasga mais do que as minhas unhas.
A Lua um passatempo tinha,
Me encarava comigo dentro da caixa,
Sou matéria morta e negativa,
Corrompo o que em mim se encaixa,
O estilhaço da noite, gritando, me chama,
Me engoliu o invólucro do desdém,
Fui largada na mais fria chama
E hoje venero apenas uma rainha, nenhum rei.
Suas costas são meus tesouros, especiais,
Queria as beijar até meus lábios perderem a força,
Queria que açoitasse as minhas até perder o ar,
Queria que não tivesse parado na masmorra,
Sou a pecadora que trouxe a tormenta,
Maculei suas terras e sujei sua espada,
Apodreci acácias, fúcsias e as perfeitas,
Vi seu rosto sorrindo se tornando lágrimas.
Escute, minha guerreira,
Esse seu vasto reino
Que você tem levado em seus seios
É mesmo tão imperfeito assim?
Voe para clamar sua essência,
O abismo persegue às nuvens,
Grilhões ao ar marcam passadas ferrugens
E apagam o meu fantasma infeliz.
Querida guerreira,
Não precisa comigo falar,
Sei bem que me ouviu,
Que sentiu eu te magoar,
Ferir e machucar,
Mas, muito me agoniza o fato
De que nas tuas lembranças
Eu não vou mais te acompanhar.
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