Velhaco Babão

Velhaco Babão
 [Um bom cristão]

Inquilino de surdos puteiros, Atleta de menáges grosseiros! A camisinha estoura em kamikaze, A borracha sangra o falo de araque! Mistura de vômito, pus e gozo, A meia gastada é seu único tesouro! Se arrasta pelos buracos do chão, Só grita e reclama o velhaco babão! O triste saturniano rodopia tonto, Acha que é um planeta, um sonho! As estrelas riem dele com luzente esgar, A noite se diverte ao humilhá-lo sem ar! Suga os transeuntes em seu buraco negro, Todos deformados em cósmico desespero!  Gravita em torno das migalhas de pão, Só grita e reclama o velhaco babão! Mestre em latrocínios e fugas, Enlouquece ao tocar nas jóias brutas! Sequestra infantes, déjà vu absurdo, A faca tetânica baila pelo pulso! O miserável toma um Boeing que distoa, Aves e passageiros preocupados à toa! Chove ácidos, lixos e normoses do céu vão, Só grita e reclama o velhaco babão!  Filho bastardo e imbecil de Sorocaba, Foge da própria sombra pela madrugada! Chuta os pobres cães e gatos que encontra, Inchado de cachaça, o coração já desponta! Odeia o mundo ao destruir o próprio ócio, O dilúvio imparável das suas veias: O ópio! Os ventos frios beijam docemente sua mão, Apenas o silêncio do velhaco babão.

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