ode aos hormônios

ode aos hormônios

    [crise na aula de sistema reprodutório "feminino"]

bucetudos, bucetinhas,
pirocudas, piroquinhas,
de tetas enormes às rasas,
não-bináries, intersexuais,
ais e uais,
pelos pelos peludos e pelos pelados
busco bucetas
falo de falos pênis penosos
vejo vaginas gelatinas
piro pirocas pipocas
recheco xerecas oceanos cheios de xanas
— caras caralhas etc,
não têm um têm dois
não têm dois têm três
não têm três têm zero.

euforia, alforria.
do lado de cá,
cantando a canção do nosso povo
meu orvalho de couro
entorno
da mulher e da nb,
elas 
mais suaves que a neve,
mais quentes que o verão,
de mãos mais pequenas
que as da chuva,
devaneio dançar um tango,
orangotangas.

uma besta-fera-cu-sujo
como angélica freitas
será feita de fritas
vai se arrebentar na nossa
roda punk-hekatina rosa
gris blake negro ruivo
azul-borboleta
sobretudo violeta

e nos arcos-íris de prosa
desenhos poemas cachoeiras
vales sarais bacanais
a gente goza
dependendo do sentido,
a quem contradizer a paixão
o prazer o amor aroaces
aviões de dumont
vou pôr esses quems
no barro e os dar aos bois.

essa juventude fascista
numa bicicleta mirim de palhaço
tá istúpida
se os cinco anos 
no centro de reeducação 
não derem certo
mais sangue cishit
no pentransgrama
mais picareta
na cabeça
mais canzone 
che ammazza;

"mas a histeria" vão se freüder,
grávidos venham aqui
ávidos rápidos
guerreiros warrior
façam como amelio robles ávila.

prisioneira forçada a ser puta
seu choro 
ecoa como num útero
arde como num sol
espumeja como na bruma.
salvaremos a biologia.
— boiologia.

[escrita nos dias 04 11 2025, 05 11 2025 e 12 11 2025]

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