Otite, sinusite

Otite, sinusite

Eu não consigo escutar sua voz.

Um impulso
Pra escrever seu nome no meu pulso.
Flashes do nosso casamento
Me anestesiam lacrimalmente,
Languidamente. De uma imobilidade
Que me aterroriza,
Que me põe a chorar
Como a criança de verdade que sou.
A falta violenta das alianças,
Do seu nome aqui comigo,
Seu nome, que me aquece tanto, que me
                                                  [revigora tanto,
As suas faltas me premem o coração.
Será nosso padrinho
O também doente
Bardo Leucêmico das Letras,
Mago Dionisíaco-Apolíneo.

A melancolia, mais brutal
Que os furos do "Le dormeur du val".
A melancolia, me obriga
A reconhecer a fragilidade radical da vida.
A precariedade que se faz tão presente,
Na saúde e na doença.

O estouro do tímpano,
A facada do ouvido e do olvido,
Fizeram e fazem as Orquídeas voarem por
                                                                       [aí,
Pra bem longe de mim. Expulsas, tento
                                                               [chorar.
O planeta Terra desmata-me.
O rio, de uma ruivez
Diferente da do seu cabelo.
Quase surda
Como a caxumba
De um dos meus sogros.

Do santo sepulcro
Não sairá algum cristo, algum lázaro,
Esses monstros mênstruos.
Preciso de uma pedra imensa, pesada, 
                                                    [gorda, obesa,
De imediato. Protetora e boa, bondosa.

(Com um pouco de escoliose forçada)
Sofro-me para adormecer.
Me debato como uma sereia seca.
Cansada como uma funcionária pública.
Cansada como Drummond.

Entre meus
Ver-sós e ex-trofes,
Soturnos, taciturnos,
Saturnianos, venusianos,
A ansiedade me toma pela carne,
Misturadas com a alma e com a mente,
Sufocando minhas letras.
Ela me consome. Turvação.

Quero espancar minha cabeça na parede
E escrever seu nome com meu sangue,
Que é de uma ruivez menos intensa que a 
                                                  [do seu cabelo.

Eu alucino com seu abraço, com seu toque.
Uma paciência hekatina é necessária.
Um altar é necessário.
Uma espiritualidade saudável é necessária.
Um sabá é necessário.

O contato ameno com a Morte
Já faz eu sentir ela, e faz eu sentir de novo
                                                                     [ela.
Elas. ELAS. Ainda sinto Hekate distante.

Lesbicatábase me afunda,
Me afunda,
Me afunda.
Uma caverna sáfica
Tão sufocante
Como uma caverna vietnamita.
Me afogo na ansiedade, ânsia
De sair da cidade. Sorocaba, o soro
Acaba.

E o meu medo
De não ouvir mais sua voz,
Que me deixa femeamente viva
E vividamente fêmea.
Uma voz guia, instrutora,
Que me banha na delicadeza feminina.

Violeta Blake...

[26 11 2025]

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