Balada Embalada em Badaladas

Balada Embalada em Badaladas

Ensandecida, grito e murmuro, mudamente,
Da Quimera, Arúspice passível, que sente
Um freio na garganta e os turbilhões da mente...

Tanto tempo triste tento te ter,
Um abraço vivo de mulher pra mulher,
Mimo afável nos envolvendo em Éter,

Enquanto a alvorada passeia seus
Dedos rosas em nossas faces, céus,
Águas, terras, flores em coliseus,

Meus genuínos átimos palpitam a você,
Infinistantes que dissipam o agridoce,
Apenas a doce vida que nos socorre,

Um templo, um choro, um cuidado, um ponto curvado
No topo do minarete, tremeluzo e agrado,
Na lauta linha do horizonte varando um abalo,

Epifaniando o Cosmos em ocultos devaneios,
Figura amodal, vital, rápida, que completas recebemos,
Ecoa o plasma cenocibítico que oscila ou mais ou menos,

Eclosões pandemônicas, contíguos ócios,
Acolhendo a Violeta do Arco-Íris pródigo;
E meu violão dourado, empoeirado e órfico,

Voga em saudades bacantes, contigo quer cantar,
Dedilhação terna, arquejando um pouco do mar,
Acusticamente gris e infinito como amar;

E esse ponto em torno de ti gravita,
E essa eu em torno de ti de ti grávida,
E todas as extensões de ti ávidas;

Nefelibatas, Gêmeos e Virgem zelam,
Sensíveis, a qualquer mudança singela
Fulgem fixas os calores, as Eras;

E as energias bruxas do dia mais longo
Também se cruzam com os gargalos do sono,
Mas um sono-sonho, bom, incepção do corpo;

E a noite, ela mesma se toca e se invade,
Em resma, fases, artífices de escape;
— E isso tudo não se iguala a teu altar de arte;

Alucino, deliro, Strophalos lenhoso
Radiante ante o próprio anseio manhoso;
E a Música faz mais fêmea o negrume nosso,

Penumbra ascendente, irmã e broquel do ocaso,
Nos ama, nos sonha, nos é, nos dá ao acaso
O Planeta-Mundo, polaroid dos Fatos;

E nós nos fundimos em jardins, florestas,
Natureza transposta nas mesmas
Correspondências que compõem promessas;

As filigranas, as gargantilhas, tu ornada copiosa,
Ou também nua, delicado afresco de idílio que aflora,
— Ó veemente musa minha, do meu coração senhora,

E que eu amo e que me ama, tornas-me tão extática,
Meus seis sentidos mananciam toda a prática
Da euforia astral, carnal, subterrânea e encantada,

Tuas palpáveis chamas ruivas e negras tão quentinhas,
Tua voz indelével árias, hinos, entoa às Vidas,
Teus caprichos resguardam as Violetas e as Orquídeas.

[06 12 2025]

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