A Forma "Oculta" da Agatha, Ato 1
A Forma "Oculta" da Agatha
- ATO 1
Eu preciso purgar-me a catarse.
A catarse violenta, minha.
Corro num solo vazio, vácuo.
Eu estou parada? Ou flutuo?
Neste exílio asfixiante.
Passei perto do túmulo dele.
Eu roubei de Fernando Pessoa.
Uma de suas várias técnicas.
Autopsicografando mim mesma.
Minha poesia é terapia.
Vou tentar transcrever tudo isto.
A forma "pura", a "primitiva"...
esse "deus" de VOCÊS é um genocida
os "demônios" são os meus amigos
"anjo" tem sangue nas próprias mãos
o "diabo" foi o que me acolheu
ELES ensinam eu a me odiar todo dia.
puta. vaca. piranha. vadia. cachorra.
eu não me sinto humana. não me sinto viva
não me sinto, sou uma completa aberração
eu não entendo nada de relações humanas
da realidade completamente descolada
eu quero gritar até a minha garganta sangrar
eu quero passar ácido sulfúrico na pele
eu quero esfolar toda a minha carne, pele
eu quero me afogar, perder a respiração
sumir, apenas sumir, da realidade
não deixar nenhum vestígio. tudo dói
provocando estrangulamento
provocando automutilação
provocando os linchamentos
quem provocou isso? eu ou VOCÊS?
VOCÊ não me quer como "filho". eu não te quero como MÃE
a violência que entro em contato é muito familiar
eu quero parar de existir, só queria sumir
eu quero me asfixiar, rasgar meu corpo
eu estou cansada, acabada
ser de VOCÊS a marionete
todo dia uma humilhação
o termo "FAMÍLIA" me da nojo
eu quero abrir meu corpo. órgãos vazando
agora sei o que é. disforia. as três
não me via como mulher, claro.
eu não me via como alguém, como ser
acho que virei uma pessoa violenta
quase sempre tento estourar as veias
isso machuca, mas não sangra.
isso machuca, mas não há marcas
há marcas. de raiva, de violência, de medo, de terror, de horror
eu não aguento mais tudo isso, eu só quero desabar
mas não tenho espaço para faze-lo. lágrimas não saem
sombras estão dificultando a entrada de luz
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