Komorebi

Komorebi

A minha amada chata magnólia jogou para mim os dados do futuro, o resultado foi um 7 com glória, um sim com poréns, acho que já sei quais são eles, só que estou num beco tão escuro que não sei mais se me são compatíveis ou se me retêm. Saudades de quando eu era a orquídea e minhas pétalas não machucavam, restou-me uma haste floral destruída pelos vermes que me rasgam, uma fotossíntese impedida pelos vários balaústres e raízes tão quebradiças que não são mais ilustres. Eu quero te proteger de tudo que é mau e rígido, mas você já é uma guerreira forte que se cuida muito bem, enquanto sou uma inútil princesa sempre em perigo com autodepreciação que apego ao meu coração tem. Então qual meu papel neste vasto universo se meu único suporte é não ser insuportável? Eu só quero chorar no seu abraço poético pelo mundo não ser o que eu tinha achado. O Strophalos que no meu caderno desenhei não me protege mais quando estou longe de você, cada dia que passa é mais difícil de esperança ter, mas ele ainda potencializa cada verso que criarei. Escrevivo tanto de você que se formou um ciclo, e se eu soubesse, também desenharia no meu quarto sobre o quanto eu tenho medo do desconhecido, da dor que tenho e do desespero que alastro. Ando repudiando absolutamente tudo que é apolíneo, dessa minha espiral nunca me canso, não sei se sou ridícula mas mesmo assim, raio de luz mais belo da minha vida, percebi que misturo a depressão com meu desvario dionisíaco. Sinceridade e honestidade despejo nas minhas poesias, confesso que às vezes eu dou uma grande exagerada, mas é o meu drama recorrente de triste poetisa eu desabafar nas minhas escritas tão arranhadas. Eu achei que conseguia reproduzir perfeitamente as lindas liras de Orfeu, mas minha mônada não é perfeita, é uma geoide tão deformada iguais aos sonhos que sofro pelo desgraçado do Morfeu, Hipnos me abandonou e não tenho mais sorte. Antes de eu me afundar nos pesadelos em todo anoitecer, processando tudo que aconteceu no dia, ataques de ansiedade sempre surgem enquanto penso em você mais o pânico que me deixa com azia. Tenho medo da gente se distanciar conforme nossa adolescência passar, enquanto você buscaria um novo ninho, eu ficaria perdida neste labirinto. Sou uma anja caída muito desesperada, não sei se cortaram minhas asas ou se eu mesma as mutilei, o meu coração sangra de uma forma exagerada, mas sou minha própria responsabilidade e te envolver nisso não irei. Percebi a pouco tempo que sou descendente da Mariana Alcoforado, tudo o que sinto eu temo de você sofrer também no meu choro demorado. Se não consigo já suportar o meu próprio mal, como poderia ainda com o seu, a que sou mil vezes mais sensível? Esta não é uma carta e tampouco é triunfal, nem é o terceiro poema meu que falo dessa minha dor indivisível. Mas não sei do seu lado, da sua parte, e isso me causa distorções cognitivas, esse total desconhecimento me parte, minha mente se sufoca e se retira. Somos ótimas amigas e eu também amo isso, então por que eu me sinto nada ótima e não enxergo amor em nada? Por que o meu coração é tão remisso? Por que me sinto tão hipócrita? Por que minha alma ainda está tão arrasada? Por que eu mostrei aquele poema? Por que você se declarou para mim? Por que nunca acabam meus problemas? Por que tudo tinha que acabar assim? Tem tantas coisas que eu queria lhe mostrar e lhe dizer, mas delas é melhor não falar, não quero me tornar mais ruim com o tempo a passar. Muitíssimo obrigada por feliz e viva me fazer.

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