Epifania
Epifania
Tudo está perfeito,
como sempre foi. Nunca na vida eu me senti mal.
Sou um ser meigo,
e de novo, volto a atiçar o meu emocional.
Transborda a minha felicidade,
eu não consigo me conter.
Pulo de alegria pela cidade,
por causa da coisa que eu mais amo fazer.
Pegar a minha faca, e começar a me cortar.
A me cortar, a me cortar, a me cortar.
Eu me corto sem parar, o sangue jorra para todos os lados.
Pensamentos suicidas eu sempre alastro.
As marcas não saem não importa o quanto eu lave.
As cicatrizes não saem não importa o quanto eu lave.
Mas vai ser problemão se alguém ver.
Disso eu não posso deixar ninguém saber.
Fazer isso sem ninguém perceber é difícil.
Sei que é mais fácil eu pular da janela do oitavo andar de algum edifício.
Mas assim não tem graça, não tem dor.
A dor é a parte mais importante do meu amor.
Mas eu não consigo mais segurar a faca direito.
Arde como nunca ardeu o meu peito.
Eu fico tremendo, não consigo ficar parada.
Mas eu preciso continuar, até a brincadeira ser terminada.
Preciso abrir a minha carne enquanto eu calo o meu grito.
Grito sem parar, choro sem parar, até parar com o que eu sinto.
A dor precisa ficar mais aguda.
Assim eu consigo escapar de todas as minhas lutas.
Eu preciso cortar a minha garganta.
Assim eu consigo a paz que tanto me encanta.
Assim eu não vou mais respirar o ar do mundo.
Assim eu vou me esquecer que tudo é imundo.
Eu preciso preciso cortar o meu pulso.
Para os meus sentimentos ficarem avulsos.
Preciso esfaquear meu coração.
Até ele parar de bater. Eu vou chorar de emoção.
Assim tudo vai ficar bom. Eu vou sorrir.
Vai ser bom. Vai ser bom para mim.
Vou sorrir muito. Um sorrisão na minha cara. Eu não tenho lástima.
Espero ficar encharcada além do meu sangue, das minhas lágrimas.
Eu não vou me desculpar.
Dessa mania eu nunca irei parar.
Eu não preciso que alguém venha me ajudar.
Isso é o que eu sou, e nada além disso.
A minha solidão canta comigo.
Apenas uma faca me restou, sou sozinha por ter mentido.
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