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Mostrando postagens de outubro, 2025

Abstinência

[Postando, finalmente. Originalmente de 2024, mas fiz uma pequena alteração quando reli há pouco tempo. A gora, é a versão definitiva.] Abstinência Distância me envenena E me fere Não dá pra olhar Criminosas não saem do tribunal Roda de Hekate Gira e gira Rasga a pele e mostra a carne Manancial de sangue ruivo A luz morre em gris O Sol já nasceu morto Estraguei a adoração Nem mais migalhas caem A Deusa é EXISTENTE Passa fome o verme Passa fome o verme Orquídeas Vivem em memórias Morrem em memórias Portas emperradas Machucam perfumes Músicas não ouvidas Cartas não entregadas Abortada quer gritar Mas não tem boca Seu silêncio agudo só faz sangrar Seus próprios ouvidos O vazio por si só já é cheio A Deusa é SUBSTÂNCIA Passa fome o verme Passa fome o verme Não anseio liberdade Anseio ser controlada Suprir minha dor Já é o suficiente O mínimo é desconforto Caprichos são grotescos Mimos são o mal Ternura é tóxica Afeto corrói O carinho me faz C A I R Nunca chego ao chão A Deusa é IMPREVIS...

O Império do Mal é Bom

O Império do Mal é Bom [Para o Dia do Saci/das Bruxas 2025] Árias e alvoradas Nesse castelo ao contrário Vampiras saradas

Natureza

Natureza Maria Laura e Violeta Blake, Preciso vos dizer: Não há felicidade na cidade grande. Para nós, felinas, O jeito mesmo É ser andróide com os bichos, No continente de intocado neon. Visitar a comunidade das abelhas, Caras amigas de nós, flores, Doces confeiteiras de nós, méis. Embalar no trem dos tamandúas E fotografar o salão cor-de-jade E a montanha-musgo da lagoa Com minha câmera crocante, E essa polaroid voará Para o jornal impresso Dos patos communards. Se filiar no sindicato dos castores E combater o peleguismo dentuço. Entraremos com vestidos combinados Pela tapeçaria negra da terra, Dragões de bagas sorrateiros, Na balada dos bichos-preguiça E do mansos coalas. As tatuagens de vocês duas Feitas com as resinas dos relâmpagos, Refinadas pelo komorebi tropical, Artífice e arteiro, irmão do arco-íris, Nossa nação movente. Nossa beleza bondosa Supera a do alvorecer dos cines. Aventureiras dos dédalos, regatos, Interiores correspondentes, Construiremos nossos totens Talhados...

Bobaleta

Bobaleta Voando perto de mim, Acanhada observo A esfinge-valquíria, Intenso universo Marulhante e carmesim Quero a entender, decifrar, Paz tremeluzente, Dona do meu choro, Meu corpo já sente Uma força a se agitar Tanto acolhem, asas livres, Pousando em meus dedos, Olhos penetrantes Puxam meus segredos E neles semeiam íris Seu dia para mim canta, Voz melodiosa Dança aos meus ouvidos, Terna desabrocha O meu coração de dama O seu riso demiurgo Envolve minh'alma, Magia tão doce Enche-me de calma, E nas suas patas durmo Num estalo passa o tempo, Cócegas nos braços, Mimos nas antenas, Cafunés e abraços, Nosso amado passatempo Estrelinha do negrume, Lúdica demônia, A sua existência  É a onírica insônia, Forte como seu perfume Delicada Borboleta, Deamons da Philia Protegem a sua Flora colorida, Genuína Violeta

Arlequim Solar

Arlequim Solar [Paródia de Pierrot Lunaire] O calor vivo e febril de verão Da nossa ruiva estrela estrala. A onda grave as flores abraça E o frescor violento envolve o coração. Tórridas cachoeiras gritam em união E os veados derretem de forma brava. O calor vivo e febril de verão Da nossa ruiva estrela estrala. O Arlequim escarneia a canção, Evaporam suas lágrimas de prata Enquanto cospe o ouro cego da Traça. Invade o Planeta-Mundo à prostração O calor vivo e febril de verão.

Velhaco Babão

Velhaco Babão  [Um bom cristão] Inquilino de surdos puteiros, Atleta de menáges grosseiros! A camisinha estoura em kamikaze, A borracha sangra o falo de araque! Mistura de vômito, pus e gozo, A meia gastada é seu único tesouro! Se arrasta pelos buracos do chão, Só grita e reclama o velhaco babão! O triste saturniano rodopia tonto, Acha que é um planeta, um sonho! As estrelas riem dele com luzente esgar, A noite se diverte ao humilhá-lo sem ar! Suga os transeuntes em seu buraco negro, Todos deformados em cósmico desespero!  Gravita em torno das migalhas de pão, Só grita e reclama o velhaco babão! Mestre em latrocínios e fugas, Enlouquece ao tocar nas jóias brutas! Sequestra infantes, déjà vu absurdo, A faca tetânica baila pelo pulso! O miserável toma um Boeing que distoa, Aves e passageiros preocupados à toa! Chove ácidos, lixos e normoses do céu vão, Só grita e reclama o velhaco babão!  Filho bastardo e imbecil de Sorocaba, Foge da própria sombra pela madrugada! Chuta ...