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Mostrando postagens de 2025

receita para uma hecatombe sangrenta sanguinolenta sanguinária ensanguentada sobretudo sanguínea

receita para uma hecatombe sangrenta sanguinolenta sanguinária ensanguentada sobretudo sanguínea pentransgrama ao contrário. strophalos. 50 ovelhas jazendo no chão de tua sala. o estômago vazando intermitentemente, a linfa sujando a tapeçaria cara. as proles mais novas de olhos pequeninos                                                [e esbugalhados. impassíveis ovelhas. novelhas, haja pelo                                                 [pra tanto apelo. amontoadas, torre rasgando o teto espancado. o pastor se asfixiou com seu cajado. que visão linda! que visão maravilhosa! crânio desmiolado de pato, pato sem pata, pato seco, pato amargo, pato-já-não-mais-manso. patodavida patologizado, martirizado. do bico picotado faz-se fermento, um pó de osso mo...

Polícia civil

# Polícia civil Jornalistas não viram, Câmeras não viram, Microfones não ouviram, Colunas não suportaram, Editoriais não escreveram. Mas no espelho Os furos de reportagem: As balas perdidas. [21 12 2025]

Balada Embalada em Badaladas

Balada Embalada em Badaladas Ensandecida, grito e murmuro, mudamente, Da Quimera, Arúspice passível, que sente Um freio na garganta e os turbilhões da mente... Tanto tempo triste tento te ter, Um abraço vivo de mulher pra mulher, Mimo afável nos envolvendo em Éter, Enquanto a alvorada passeia seus Dedos rosas em nossas faces, céus, Águas, terras, flores em coliseus, Meus genuínos átimos palpitam a você, Infinistantes que dissipam o agridoce, Apenas a doce vida que nos socorre, Um templo, um choro, um cuidado, um ponto curvado No topo do minarete, tremeluzo e agrado, Na lauta linha do horizonte varando um abalo, Epifaniando o Cosmos em ocultos devaneios, Figura amodal, vital, rápida, que completas recebemos, Ecoa o plasma cenocibítico que oscila ou mais ou menos, Eclosões pandemônicas, contíguos ócios, Acolhendo a Violeta do Arco-Íris pródigo; E meu violão dourado, empoeirado e órfico, Voga em saudades bacantes, contigo quer cantar, Dedilhação terna, arquejando um pouco do mar, Acustica...

Haikaí

Haikaí Ai! Caí: mas mais Pás em paz no cais que traz Miasma capaz. [Final de novembro / começo de dezembro de 2025.]

Fantasmas

Fantasmas Naturais concretos, Campos de Augusto e de Haroldo Povoam discretos.  [Final de novembro / começo de dezembro de 2025.]

Magnólia

Magnólia A golpes de machete em brasas, viscerais, Órgãos carbonizados desabam no charco, Se refrigeram sob o breu por demais árduo Que sofre co'a flor pútrida às pétalas de ais; Tantálica Magnólia, suja bizarria Amiga do assassínio esmurra tal martelo, Faces desfiguradas no arsênio amarelo, Decrépita latrina em que mais sangraria; Ossos agudos tão perfurados, quebrados, Retorcidos, por plúmbeo desespero atroz; Não há mais sobrinha e sua tia, não há mais nós, Vergonha do jardim, seu roxo impostor brados Tenta ecoar à Flora e falha; flor funérea, Se exile em matagais de pus, longe da aléia. [05 12 2025]

No meio do rim

No meio do rim No meio do rim tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do rim tinha uma pedra no meio do rim tinha uma pedra. Nunca gozou tal qual nesse acontecimento na sobrevida dos seus órgãos tão fatigados. Nunca gozou tal qual quando no meio do rim tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do rim no meio do rim tinha uma pedra. [A Nilton Carlos Colombo Ribeiro, 14 11 2025]

Otite, sinusite

Otite, sinusite Eu não consigo escutar sua voz. Um impulso Pra escrever seu nome no meu pulso. Flashes do nosso casamento Me anestesiam lacrimalmente, Languidamente. De uma imobilidade Que me aterroriza, Que me põe a chorar Como a criança de verdade que sou. A falta violenta das alianças, Do seu nome aqui comigo, Seu nome, que me aquece tanto, que me [revigora tanto, As suas faltas me premem o coração. Será nosso padrinho O também doente Bardo Leucêmico das Letras, Mago Dionisíaco-Apolíneo. A melancolia, mais brutal Que os furos do "Le dormeur du val". A melancolia, me obriga A reconhecer a fragilidade radical da vida. A precariedade que se faz tão presente, Na saúde e na doença. O estouro do tímpano, A facada do ouvido e do olvido, Fizeram e fazem as Orquídeas voarem por [aí, Pra bem longe de mim. Expulsas, tento ...

ode aos hormônios

ode aos hormônios     [crise na aula de sistema reprodutório "feminino"] bucetudos, bucetinhas, pirocudas, piroquinhas, de tetas enormes às rasas, não-bináries, intersexuais, ais e uais, pelos pelos peludos e pelos pelados busco bucetas falo de falos pênis penosos vejo vaginas gelatinas piro pirocas pipocas recheco xerecas oceanos cheios de xanas — caras caralhas etc, não têm um têm dois não têm dois têm três não têm três têm zero. euforia, alforria. do lado de cá, cantando a canção do nosso povo meu orvalho de couro entorno da mulher e da nb, elas  mais suaves que a neve, mais quentes que o verão, de mãos mais pequenas que as da chuva, devaneio dançar um tango, orangotangas. uma besta-fera-cu-sujo como angélica freitas será feita de fritas vai se arrebentar na nossa roda punk-hekatina rosa gris blake negro ruivo azul-borboleta sobretudo violeta e nos arcos-íris de prosa desenhos poemas cachoeiras vales sarais bacanais a gente goza dependendo do sentido, a quem contradize...

Abstinência

[Postando, finalmente. Originalmente de 2024, mas fiz uma pequena alteração quando reli há pouco tempo. A gora, é a versão definitiva.] Abstinência Distância me envenena E me fere Não dá pra olhar Criminosas não saem do tribunal Roda de Hekate Gira e gira Rasga a pele e mostra a carne Manancial de sangue ruivo A luz morre em gris O Sol já nasceu morto Estraguei a adoração Nem mais migalhas caem A Deusa é EXISTENTE Passa fome o verme Passa fome o verme Orquídeas Vivem em memórias Morrem em memórias Portas emperradas Machucam perfumes Músicas não ouvidas Cartas não entregadas Abortada quer gritar Mas não tem boca Seu silêncio agudo só faz sangrar Seus próprios ouvidos O vazio por si só já é cheio A Deusa é SUBSTÂNCIA Passa fome o verme Passa fome o verme Não anseio liberdade Anseio ser controlada Suprir minha dor Já é o suficiente O mínimo é desconforto Caprichos são grotescos Mimos são o mal Ternura é tóxica Afeto corrói O carinho me faz C A I R Nunca chego ao chão A Deusa é IMPREVIS...

O Império do Mal é Bom

O Império do Mal é Bom [Para o Dia do Saci/das Bruxas 2025] Árias e alvoradas Nesse castelo ao contrário Vampiras saradas

Natureza

Natureza Maria Laura e Violeta Blake, Preciso vos dizer: Não há felicidade na cidade grande. Para nós, felinas, O jeito mesmo É ser andróide com os bichos, No continente de intocado neon. Visitar a comunidade das abelhas, Caras amigas de nós, flores, Doces confeiteiras de nós, méis. Embalar no trem dos tamandúas E fotografar o salão cor-de-jade E a montanha-musgo da lagoa Com minha câmera crocante, E essa polaroid voará Para o jornal impresso Dos patos communards. Se filiar no sindicato dos castores E combater o peleguismo dentuço. Entraremos com vestidos combinados Pela tapeçaria negra da terra, Dragões de bagas sorrateiros, Na balada dos bichos-preguiça E do mansos coalas. As tatuagens de vocês duas Feitas com as resinas dos relâmpagos, Refinadas pelo komorebi tropical, Artífice e arteiro, irmão do arco-íris, Nossa nação movente. Nossa beleza bondosa Supera a do alvorecer dos cines. Aventureiras dos dédalos, regatos, Interiores correspondentes, Construiremos nossos totens Talhados...

Bobaleta

Bobaleta Voando perto de mim, Acanhada observo A esfinge-valquíria, Intenso universo Marulhante e carmesim Quero a entender, decifrar, Paz tremeluzente, Dona do meu choro, Meu corpo já sente Uma força a se agitar Tanto acolhem, asas livres, Pousando em meus dedos, Olhos penetrantes Puxam meus segredos E neles semeiam íris Seu dia para mim canta, Voz melodiosa Dança aos meus ouvidos, Terna desabrocha O meu coração de dama O seu riso demiurgo Envolve minh'alma, Magia tão doce Enche-me de calma, E nas suas patas durmo Num estalo passa o tempo, Cócegas nos braços, Mimos nas antenas, Cafunés e abraços, Nosso amado passatempo Estrelinha do negrume, Lúdica demônia, A sua existência  É a onírica insônia, Forte como seu perfume Delicada Borboleta, Deamons da Philia Protegem a sua Flora colorida, Genuína Violeta

Arlequim Solar

Arlequim Solar [Paródia de Pierrot Lunaire] O calor vivo e febril de verão Da nossa ruiva estrela estrala. A onda grave as flores abraça E o frescor violento envolve o coração. Tórridas cachoeiras gritam em união E os veados derretem de forma brava. O calor vivo e febril de verão Da nossa ruiva estrela estrala. O Arlequim escarneia a canção, Evaporam suas lágrimas de prata Enquanto cospe o ouro cego da Traça. Invade o Planeta-Mundo à prostração O calor vivo e febril de verão.

Velhaco Babão

Velhaco Babão  [Um bom cristão] Inquilino de surdos puteiros, Atleta de menáges grosseiros! A camisinha estoura em kamikaze, A borracha sangra o falo de araque! Mistura de vômito, pus e gozo, A meia gastada é seu único tesouro! Se arrasta pelos buracos do chão, Só grita e reclama o velhaco babão! O triste saturniano rodopia tonto, Acha que é um planeta, um sonho! As estrelas riem dele com luzente esgar, A noite se diverte ao humilhá-lo sem ar! Suga os transeuntes em seu buraco negro, Todos deformados em cósmico desespero!  Gravita em torno das migalhas de pão, Só grita e reclama o velhaco babão! Mestre em latrocínios e fugas, Enlouquece ao tocar nas jóias brutas! Sequestra infantes, déjà vu absurdo, A faca tetânica baila pelo pulso! O miserável toma um Boeing que distoa, Aves e passageiros preocupados à toa! Chove ácidos, lixos e normoses do céu vão, Só grita e reclama o velhaco babão!  Filho bastardo e imbecil de Sorocaba, Foge da própria sombra pela madrugada! Chuta ...

Lado culto da Lua

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Lado culto da Lua         [16 09 25 e 18 09 25, respectivamente]

haikaisual

haikaisual                                               a lua             pula o sapo          o mocho ulula                                                          chora

Ao Mestre

Ao Mestre [Dedico esta ao meu guia e mentor na literatura, por me permitir atingir a apoteose decadente, a catábase etérea e a suavidade lúdica, filhas da poesia, minha arte máxima.] Nas terras onde o céu cai e as nuvens viram naus E as ondas batem palmas com fervor na alma, Pasárgada e Lesbos juntam-se em bela valsa E a sublime brisa espanta os agouros maus; As bruxas e as ninfas flertam-se com paixão No vasto festim do sabá cronopiano Em que a sua sinestesia dedilha o âmago Sob a bruma do incenso de livro ancião; Nos montes formados pelos 14 versos A cabra sagaz tanto trota assim de lado Para explorar veredas sem algum centavo Na busca do coroa com viços diversos, Senhor dos devaneios, pária antena vate: Nilton Colombo, bardo da morte de padre!

catadora

catadora nesse ar o cata-vento cata vento pra girar só um pouquinho deixa eu catar os seus coquinhos?

Egoísmo Mútuo

Egoísmo Mútuo 1. Não é culpa minha se a casca é uma só, Não é tua culpa querer laços desmantelar, Não é culpa nossa este oceano de ódio. É culpa da genitora respirar e gerar. Presas no ruivo contrato, Presas no espelho do deus exterior, Presas dos demônios de aço, Donas do miasma e do bolor. Faz-te dançar a música Enquanto ela me parte Em devaneios mudos Que desprezam a realidade. Olhos ébrios da mentira Expurgados da inocência Afogam-se no áspero riso Escravo da carência. O silêncio estupra nossa carne, O grito violenta nossas irmãs, O estertor desmancha nossa face, O pesadelo rouba nossas manhãs. O pêndulo do relógio Mostrou-nos que o futuro é demais pra suportar, As faíscas dos fósforos São a matéria do cigarro e do sororal sabá. Arrancamos a pele suja e exangue, Contorcemos na heresia, Flutuamos sobre o pentagrama, O terrível éter pinga. Abandono é guilhotina Da suicida em dose dupla, Tanto que festeja a vermina No cadafalso do luto. O que as flores veem em nós? O que as...

"antes ser bicha"

antes ser bicha  do que ser bicho