Postagens

Busto de Safo

Busto de Safo Quedo-me absorta em teus lábios de marfins vários! Voluptuosos, fuscos, glaciais...amargos Pela salsugem do verme que não te quis!... — Por tua ausência em Lesbos, chovem sós letargos... Teu distante olhar d'ouro oxidado, moroso, As almas penetrando com súplicas mistas... Tuas bochechas de nácar sem algum gozo, Mas coradas por novos séculos de artistas... O nu queixo de jade luz a nênia — prêmio!... Entalhadas em mogno as sobrancelhas graves... Cabeleira enrolada e argêntea pela práxis... O abismo que deixaste no coração fêmeo Das moças sem estrógenos, seios, vagina!... — Como punge-me, como sangro, minha amiga! [18 01 2026]

Meu corpo coberto pelas violetas

Meu corpo coberto pelas violetas (A morte das autoras nunca, — repete-se —,                                              [nunca se aplicou. Mesmo depois de mortas as autoras.) As dores me tornaram cega. Mas não vejo Eigengrau. Não vejo o Nada, não vejo o Abismo. Não vejo a Foice tonitruante. Eu vejo Gris e sua melodia. Eu vejo a Lira de mil sentidos e de mil                                                      [sentimentos. Eu vejo a extinção da palavra "agridoce". Minhas irmãs seguram minha mão, Me fazem cafuné, cosquinhas, Pegam e compartilham o mel (— Ah, quando eu botava a ração na minha Palma pra finalmente a Melzinha comer...), Tornam a brisa suave, Espiam a brasa do lume, Filtram o fel, Dominam a entropia, Atenuam a menstruação Do Sol...

ciclo distímico da orquídea

ciclo distímico da orquídea rejeito minha humanidade flor da catástrofe torno-me uma só com a morte, apoteose não preciso de coisas/sentimentos triviais como amor, esperança, carinho, prazer não preciso de sorte, acaso, tinha um frasco, panaceia falsa não precisa ser humane pra ter humanidade mas rejeito a humanidade, cansei sou a deusa do meu próprio poema? das minhas próprias lágrimas? sei que delas não sou dona suicídio é meu conforto hematomas pelas ausência feminina antro da maldade cada surto eu guardando só pra mim pra ninguém perder tempo com a aberração que eu sou até eu kaboom yin-yang contei minhas piadas sem graça para tentar delas conseguir uma pequena risada matei meu yin e a yang ficou sem a blake no momento em que me divido, mais sangue encontra-se absorver o abismo antes dele sequer olhar a mim o que machuca mais aqui, chorar, fingir que estou bem, não salvar? não salvar? elas sofrem mais que eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu não aguento ver elas sofrerem meu coração explo...

Venezuela

Venezuela Quando a águia sobrevoa nosso vizinho, Os abutres rasgam os órgãos inocentes, Despenca o condor, asas cortadas, sem ninho, E os corvos comem as veias abertas, quentes... Quando a vermina do norte infesta o mar, Quem pesca a sobrevivência voga à praia, E sem parar, o choro familiar, Junto dos destroços do barco, se espraia... Quando as bombas somem com as crianças, O sangue do povo latino grita, Sangue negro e rubro alçando esperanças, "Luto" é verbo até que o império se extingua; Liberais e fascistas comemoram, aplaudem, Mas o condor se reerguerá pela justiça, Mais espalmado e mais radical pra se alastrarem Mais as chamas dessa fênix que à vitória atiça! [11 01 2026]

receita para uma hecatombe sangrenta sanguinolenta sanguinária ensanguentada sobretudo sanguínea

receita para uma hecatombe sangrenta sanguinolenta sanguinária ensanguentada sobretudo sanguínea pentransgrama ao contrário. strophalos. 50 ovelhas jazendo no chão de tua sala. o estômago vazando intermitentemente, a linfa sujando a tapeçaria cara. as proles mais novas de olhos pequeninos                                                [e esbugalhados. impassíveis ovelhas. novelhas, haja pelo                                                 [pra tanto apelo. amontoadas, torre rasgando o teto espancado. o pastor se asfixiou com seu cajado. que visão linda! que visão maravilhosa! crânio desmiolado de pato, pato sem pata, pato seco, pato amargo, pato-já-não-mais-manso. patodavida patologizado, martirizado. do bico picotado faz-se fermento, um pó de osso mo...

Polícia civil

# Polícia civil Jornalistas não viram, Câmeras não viram, Microfones não ouviram, Colunas não suportaram, Editoriais não escreveram. Mas no espelho Os furos de reportagem: As balas perdidas. [21 12 2025]

Balada Embalada em Badaladas

Balada Embalada em Badaladas Ensandecida, grito e murmuro, mudamente, Da Quimera, Arúspice passível, que sente Um freio na garganta e os turbilhões da mente... Tanto tempo triste tento te ter, Um abraço vivo de mulher pra mulher, Mimo afável nos envolvendo em Éter, Enquanto a alvorada passeia seus Dedos rosas em nossas faces, céus, Águas, terras, flores em coliseus, Meus genuínos átimos palpitam a você, Infinistantes que dissipam o agridoce, Apenas a doce vida que nos socorre, Um templo, um choro, um cuidado, um ponto curvado No topo do minarete, tremeluzo e agrado, Na lauta linha do horizonte varando um abalo, Epifaniando o Cosmos em ocultos devaneios, Figura amodal, vital, rápida, que completas recebemos, Ecoa o plasma cenocibítico que oscila ou mais ou menos, Eclosões pandemônicas, contíguos ócios, Acolhendo a Violeta do Arco-Íris pródigo; E meu violão dourado, empoeirado e órfico, Voga em saudades bacantes, contigo quer cantar, Dedilhação terna, arquejando um pouco do mar, Acustica...

Haikaí

Haikaí Ai! Caí: mas mais Pás em paz no cais que traz Miasma capaz. [Final de novembro / começo de dezembro de 2025.]

Fantasmas

Fantasmas Naturais concretos, Campos de Augusto e de Haroldo Povoam discretos.  [Final de novembro / começo de dezembro de 2025.]

Magnólia

Magnólia A golpes de machete em brasas, viscerais, Órgãos carbonizados desabam no charco, Se refrigeram sob o breu por demais árduo Que sofre co'a flor pútrida às pétalas de ais; Tantálica Magnólia, suja bizarria Amiga do assassínio esmurra tal martelo, Faces desfiguradas no arsênio amarelo, Decrépita latrina em que mais sangraria; Ossos agudos tão perfurados, quebrados, Retorcidos, por plúmbeo desespero atroz; Não há mais sobrinha e sua tia, não há mais nós, Vergonha do jardim, seu roxo impostor brados Tenta ecoar à Flora e falha; flor funérea, Se exile em matagais de pus, longe da aléia. [05 12 2025]