ciclo distímico da orquídea

ciclo distímico da orquídea

rejeito minha humanidade
flor da catástrofe
torno-me uma só com a morte, apoteose
não preciso de coisas/sentimentos triviais como amor, esperança, carinho, prazer
não preciso de sorte, acaso, tinha um frasco, panaceia falsa
não precisa ser humane pra ter humanidade
mas rejeito a humanidade, cansei

sou a deusa do meu próprio poema? das minhas próprias lágrimas?
sei que delas não sou dona

suicídio é meu conforto
hematomas pelas ausência feminina

antro da maldade
cada surto eu guardando só pra mim
pra ninguém perder tempo com a aberração que eu sou
até eu
kaboom

yin-yang
contei minhas piadas sem graça
para tentar delas conseguir uma pequena risada
matei meu yin
e a yang ficou sem a blake

no momento em que me divido, mais sangue encontra-se
absorver o abismo antes dele sequer olhar a mim
o que machuca mais aqui, chorar, fingir que estou bem, não salvar?
não salvar? elas sofrem mais que eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu
não aguento ver elas sofrerem
meu coração explode
minha empatia extática estática

anjos sempre fazem o mal olhando a quem
então eu serei a arauta que os assassina
vestindo o manto da causalidade
calamidade

enquanto eu ouço o vento soprar
eu não sinto mais elas aqui dentro do meu peito
por que soar em mim a melodia?
a orquestra da vida precisa continuar?
enigmas solucionáveis

a responsabilidade [erro]
perco-me nos meus confins, minhas bordas, minhas periferias, meus centros
diálogos eu anseio, mas eu relembro que eles sempre causam problemas
o meu coração está sangrando e se obscurecendo, à escuridão me rendo
a cada dia que passa descubro melhores formas de [erro] meus surtos e medos
são só meus, não devem causar problemas a mais ninguém
né?
tremo com medo, mas torno-me o necessário, corvo que tudo retém
já que não posso me apagar por ora, nem posso voltar no tempo com uma polaroid
mas adiantaria? ninguém deveria me conhecer

suprimo e consumo, suprimo e consumo
espiral desumana onde podo os insultos
onde troco meus resquícios por vultos
onde fico imunda por limpar o sujo

estou vazia? cheia?
sofrer é prova de vida?

cadê elas comigo
pra me protegerem das violações, dos abusos?
cadê as chamas ruivas? as flores felinas?
e a questão mais importante
cadê eu pra as proteger?

[2024 / 12 01 2026]

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