Encomenda de Isforia

Encomenda de Isforia

Minha pele se descola da carne
Para voltar atrás já é muito tarde
Do todo, esse problema faz parte
E esse fato sempre me alarde

No meu rosto, nascem vários espinhos
Eu tiro eles, mas nascem de novo
Meus braços e pernas queimam num ciclo
Que não acaba, de novo e de novo

Sou afogada num mar de estresse
Sou estilhaçada em mil pedaços
Sou jogada num vácuo que só cresce
Um infinito maior que o outro. Engole meus traços

Acordo dum sonho querendo outro
Que em mim apareça uma vagina
Este meu quarto tem cheiro de couro
Mas não tem janelas para se misturar com a brisa

Mas tem o maldito isolamento
Ecoa a cacofonia da guerra
Há uma coletânea de lamentos
Onde o maldito vidro não se quebra

"Agatha" é constantemente calada
Não tem boca, mas precisa dum grito
Para extravasar essas desgraças
E desmaiar no canto dos cantos destes pífios grilos

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