Jardim da Suprema Deusa

Jardim da Suprema Deusa

Além da realidade há o Jardim,
As terras da Deusa têm sintonia,
Sonho que nasce em um dia sem fim,
Perséfone é a sua mais fiel pupila.

Secreta arte da botânica divina,
O afresco mítico é sempre podado,
Pincéis de folha da alameda querida,
O panteão de joias é chique e amado.

As jasmins nutrem as abelhas de mel,
Suas cornalinas veem o asteroide,
Neve cósmica que afasta o cruel,
Uma fortaleza de fortuna e sorte.

As margaridas são muito desejadas,
Suas nefritas suportam o retirar,
A sua sina é mal espalhada,
Mas não é um risco para o bem estar.

Os girassóis giram ao redor do Sol,
Suas jaspes geram luz e energia,
Claro guiamento do grande farol,
Proles da estrela honrada que brilha.

As tulipas adoçam os pirulitos,
Seus quartzos formam vidros requintados,
Batidas do tique-taque do destino,
As areias protegem o que é amado.


As lavandas lavam os adubos,
Suas malaquitas têm o brio do mar,
Cachoeiras que residem nos frutos,
Lágrimas são a magia do belo cuidar.


As rosas têm os acúleos do aparo,
Seus rubis ardentes dados pras felinas,
Braço de aço é a defesa do morno abraço,

O gelo nobre escuda com a sua esgrima.

Os cactos às vezes são bem rudes,
Mas seus jades são a espada lendária,
Espinhos que saem da rocha ilustre,
Xerife árido de saloon nas quartas.


As hortênsias são as guardas da horta,
Seus topázios preservam a segurança,
Frutas e vegetais com fama e moda,
Legumes no alto cume da esperança.

As orquídeas são a minha visão espelhada,
Diamantes rosas com variadas questões,
Reflexos da jardineira obstinada,
Texturas excêntricas repletas de afeições.

Desconhecem a função, confusão de odores,
Lazulitas perdidas nas nuvens e chuvas,
Tentam alegrar as suas amigas flores,
Mesmo sendo timidamente mudas.

E ante a formosa estátua da Deusa,
Em um éter é contida toda a flora,
A Força Máxima da Natureza,
O caos organizado que o acaso adora.

Apenas uma graciosa violeta,
Ametista do mais incompreensível,
Dupla das safiras das borboletas,

Suaviza as resultantes do impossível.

Com esfíngica proporção áurea,
Harmonia e simetria conjuntas,
Fascínios arcos-íris saem de sua aura,
Seu bismuto emana sua forma pura.


Raízes guerreiras do solo fértil,
É doce o cultivo do tropical cinza,
Seu diamante roxo tem um valor dileto,
Êxtase ideal que o mundo cristaliza.

Raios ultradeíficos saem do prisma,
Mística que desabrocha no sereno,
Um carinho de matéria mais viva,
A intensidade púrpura não tem medo.


Sua cantoria é rítmica e caprichosa,
Voz única de quem a lua tanto anseia,
Afaga o seu redor com cadência fervorosa,
O tudo-nada ressoa em sua alma fresca.


[Feliz aniversário, Violeta Blake.]

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