Setembro Sem Cor

Setembro Sem Cor

Nas iniciais horas do primeiro dia, já sou arrasada,
já tô sentindo uma ansiedade da pior querida e amada,
você sempre volta na minha mente audaciosa,
o crime de te pensar retira a paixão ociosa.

Eu quero me mutilar,
arrancar, cortar, esfaquear,
querido estilete junto a mim,
faça a Dona Morte dizer um "sim".

Maldita covardia minha
de não conseguir sair da vida,
eu perdi quem mais amei na Terra,
a angústia me domina e a agonia me cerca.

A faca da cozinha não corta tanto,
perigo de a usar mais nos meus prantos,
perdi a direção do norte fervoroso,
solidão completa meu coração solto.

Você tinha dito que se eu fizesse,
fizesse alguma maluquice inerte,
você nunca, nunca iria me perdoar,
mas acho que tu já estás a me odiar.

Faz sentido, eu acho, semanas atrás, dia 4,
foi nele que me cortei, me machuquei, tá acabado,
por um deslize você intensamente me odeia,
agora tu tens certeza que sou nojenta e feia.

Já me cortei uma vez, qual a diferença,
a diferença de eu me cortar mais? Pensa,
se só um já fez você ter de mim repulsa,
mais não vai interferir, mas há culpa.

Realmente não importa?
Se bem que o seu olho já me corta,
meu coração pede o perdão do suicídio,
minh'alma clama pra voltar pro início.

Feia de alma, eu também sei disso,
se eu já me odiava com o amor lindo,
aquele amor seu, não suporto agora
com o ódio absoluto por mim, sem moda.

Luto com o tempo mas sem ele não consigo lutar,
o meu tempo parou, mas meu corpo não, é o ar,
vai até onde a brisa levar, e ela me leva pro mal,
o prisma do destino me prendeu no ciclo de caos.

Anja da Noite, nós não devíamos,
não devíamos ter nos conhecido,
pra uma estar bem, feliz, a outra precisa...
precisa estar mal, e serei essa sofrida.

Sair da sua vida pra sempre foi pra a proteger,
eu sou o perigo, a dissonância que não para de ferver,
quero que fique bem, que seja boa, que seja amada,
eu não aguento mais nossas frias brigas caladas.

Tava me matando, muito,
e não quero a matar por descuido,
quero que floresça belamente,
pois você é bela fenomenalmente.

Eu devia parar de tentar e me matar de uma vez,
pra parar de te dar desgosto a cada dia, a cada mês,
já que somos antíteses absolutas, somos opostas,
não de gênero, mas de número e grau, flor póstuma.

Formamos um abismo,
não entramos no risco,
somos o risco, em nós mesmas somos afundadas,
não consigo nadar no mar da vida de mágoas.

Nós nos perdemos, pra sempre,
não há final feliz, é deprimente,
você não estar aqui é a dor aguda,
sem falar, grita, grita contra a muda.

Por favor, alguém me mata, me chora, me leva,
tá doendo muito, nenhuma cor mais me carrega,
azul, vermelho, VIOLETA, CINZA, amarelo,
eu sou quebrada que nem o nosso antigo morto elo.

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