Querida Distopia da Luxúria
Querida Distopia da Luxúria
O eclipse escarlate no céu
Obscurece a melodia lunar,
Clama pro rubi ser o seu réu
No julgamento falho do azar...
Supernova da Estrela de Neon,
É sólido o querer do teu forte dançar,
E também do anseio emitido dos sons
De teus passos nas ondas do mar.
Virgem se moldou da apoteótica terra,
Capricórnio e Touro descansam no jardim,
A sua muda tanto se transforma e se gera,
Enquanto os outros frutos sempre fogem do fim.
Nasceu uma dúzia de borboletas
Azuis, agônicas e fugitivas,
As mentiras surgem da incerteza
Dos choros que o bater omitia.
Eu vi meia dúzia de pecados
Tentando apossar à luz do sol,
Da precariedade são emissários
E só o que falta basta pra não ser só.
O enxoval de todos os maus momentos
Cabe tão perfeitamente em você,
Que é a responsável por todo o sofrimento,
Não ligando se alguém a perceber.
Réquiem imortal das tuas joias,
Tornado temporal ganha oceanos,
O rubi se engasta nas areias rosas,
Pintura divina da morte dos santos
Foi incendiada a floresta dos segredos,
Suspeito que foi o teu corvo de ansiedade,
Ele adora tanto pregar peças de medo,
Principalmente a da raivosa tempestade.
Mas o destino é um péssimo roteirista,
O enredo é cheio de falhas e furos,
O sonho e o tempo são atores de quinta,
O mundo é um palco torto e sujo.
Desabaram valquírias feitas de água,
Todas o deserto abismado engoliu,
No fim se tornaram aberrações de mágoa,
Ventanias que cortam, amigas do frio.
Foram amarradas por cabos e cabos,
Reviveram como ciborgues vazios,
Pra logo depois a explosão, trágico,
Mas tinha o teu carinho tão vil.
Voaram chips, talvez de memória,
Não lembro, o meu é confuso,
Foi perdido dentre tantas histórias
Que transita no surreal do futuro.
Telas quebradas na cidade de gelo,
Ruínas digitais te absorvem de perto,
Rancor consome o fervor dos medos,
O mundo vivo tem a força de um Inferno.
Criar é o risco de se ter a maldade,
Tentar entender é a criação maldita,
A imaginação eu deixo pra bondade,
Afogando a realidade nas tintas.
Quatro dimensões são despedaçadas,
Empurrei Asmodeus no vácuo dos reinos,
A coroa malquista foi roubada,
Só a devoção sobrou nos pesadelos...
Esmagas a fraca estrutura
Das mórbidas verdades,
Impedes a fútil fuga
Das páginas covardes,
Estilhaças a visão imunda
sob os livros do aparte,
Fragmentas os totens de lutas
Insossas da tua arte.
Querida Distopia da Luxúria,
Tu és a reencarnação da lua,
Uma hora és cheia de estragos,
Noutra és nova de ossos arrancados.
Querida Distopia da Luxúria,
Tu és a guardiã da angústia,
Repulso o bem-estar corriqueiro,
Alma que resguarda só os teus efeitos.
Querida Distopia da Luxúria,
Tu saíras do casulo de culpa,
Os fios de seda com o ódio cortam o absoluto,
Mariposas se afogam no lodo do teu profundo.
Querida Distopia da Luxúria,
Tu és mais barulhenta que a chuva,
Chove panaceia, choro da morte,
O sangue só é divino quando te cobre.
[Feliz aniversário, Violeta Blake.]
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