"Amiga"
Eu quero que você corte os meus pulsos com sua faca,
não vou poder mais escrever nenhum poema,
todas obras fracassadas, eu não sou apoema.
Eu imploro, por favor me mata.
Eu quero que você atire com sua pistola
no meio da minha testa
e que puxe o gatilho com pressa.
Não sei se haverá alguma dor póstuma.
Eu quero que as suas mãos me estrangulem,
até eu não conseguir mais respirar,
até eu não conseguir mais amar.
Muito provável que para sempre você me culpe.
Eu quero que meu pescoço você quebre,
com toda a sua angústia,
extravase em mim a sua dor aguda.
Não há mais nada aqui que se celebre.
Eu quero que você injete em mim veneno,
e que faça eu cair morta com ele,
é agônico saber que o seu amor não é perene.
Não dá mais para tudo ficar sereno.
Eu quero que você desfigure o meu corpo,
mas não ao ponto que ele fique irreconhecível,
mas ao ponto que a situação não fique crível.
Eu ainda espero ouvir seu choro.
Eu quero que seu arrependimento de ter me conhecido
fure minhas artérias, minhas veias, e que ainda cante,
aquele antigo jardim, já imerso no lago do meu sangue,
assim, mesmo que não mereça, o meu partir não ficará tão sozinho.
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