Pés de Chumbo e Asas
Pés de Chumbo e Asas O céu bege encanta a chuva de lama, sou encarada pelos monstros das árvores, o meu jardim místico tem má fama, o espaço muda ao pisar na grama de mármore. Eu repousava, sem sono e sem motivo, de novo veio o monge budista, foi me perturbar com seus aforismos, uma troca equivalente? Esquisita! Se eu arrancasse os meus pesados pés de chumbo, em mim floresceria esbeltas asas, trocaria o andar pelo voar no futuro, atravessaria as brisas ávidas. Mas, claro que eu não vou fazer a troca, não sou estúpida para fazer isso, eu viraria uma memória póstuma, eu despencaria ao bater remisso. Eu ainda quero aprender a dançar, embora eu não suporte os seus pesos e haja estas flores a me aprisionar, sou a ré presa no solo e nos pesadelos. Não enxergo a cor delas, nem lembro o nome, mas lembro que eu as amava muito, muito, muito tempo passou e se perdeu o renome, amor...ou obsessão? Um curto-circuito. Não quero as pisar, são tão lindas embora cortam minha pele e carne, engast...