Omissões Ábditas
Estou carregando tanto caos dentro do meu peito,
de tudo você saber eu tenho extremo receio,
de traumatizar-te eu não quero ter o risco,
lido com o fato de eu ser a reencarnação de Sísifo.
A minha rocha é o meu coração,
mas ela é tão frágil e sensível,
sempre se afogando na minha emoção,
sempre beirando o completo ridículo.
E eu não quero mais ser o seu fardo, a sua rocha,
quero ser uma ótima amiga, um porto seguro,
alguém que te consola, uma flor que se desabrocha,
mas não sei como fazer isso com meus atuais recursos.
Um dueto não mais em sintonia,
um teclado em desarmonia,
um violão que não se ouvia
mais um cântico que se retira.
Você tinha dito-me para não pegar suas dores para mim,
mas eu sinto-me tão má se não fazer isso,
machuca-me tanto ver você sofrendo assim,
ouvir de longe o seu timbre tão sofrido.
Meu medo de perder-te para sempre me consome,
preciso ser a garota de aço que sozinha tudo aguenta,
preciso ser mais forte, mesmo na solitude e mesmo que eu chore,
preciso melhorar e reconstruir nosso laço que nos acalenta.
Para você eu criei tantos pseudônimos,
todos poéticos da minha maneira,
suprassumos da representação do meu ânimo
que mesmo sangrando ainda se esgueira.
Posso parecer repetitiva
mas o meu eu lírico só de você quer escrever,
é o meu hiperfoco que me guia
e me permite mesmo na dor ainda conseguir viver.
Exótica a sua resistência,
gótica tal qual você a faca que me perfura,
apoteótica a sua existência,
náutica a minha aflição que me afunda.
Sou a poetisa que antes só escrevia sobre amor,
hoje em dia misturo-o com um pouco de dor,
compondo elegias celestes sobre a sua cor,
acho que voltei para o meu estado inicial de pudor.
Paralisia me toma, vejo-me parada,
sem saber o que fazer, sem saber o que falar,
falta-me coragem e o medo a mim se agarra,
às vezes desejando morrer, às vezes querendo raiar.
Lidar com tanta coisa sozinha faz eu explodir,
então aprendi a deixar o meu boom inaudível
para não ter que sempre preocupar a ti,
para você não perder tempo com os meus fascículos.
Estou na chuva do meu sangue mas não quero banhar-te,
escondo a melancolia para que você não tenha que a ver,
guardo os meus arrependimentos e medos nas minhas obras de arte,
exilo o meu eu para você não mais comigo sofrer.
Eu canso-me tanto para fingir que estou bem,
principalmente na sua frente, dói demais,
hipocrisia minha querer saber o que você tem
e esconder o que eu sinto para não tirar sua paz.
Sabe que para você eu odeio mentir,
mas não quer dizer que eu não o fazia,
o efeito colateral fez eu ressentir,
a amargura ansiava-me todo dia.
E eu estou tentando mudar isso,
sem mentiras e apenas omissões,
metades de verdades, um resquício
do que sinto de verdade nas nossas ações.
Se você soubesse nem que seja um quinto
das coisas que não falo para ti, não sei como reagiria
e tenho tanto pavor de descobrir, então eu sigo
absorvendo tudo só para mim, um amalgamo de dores frias.
Sei que você não perdoaria-me também
se eu desistir da vida e só morrer,
ter todo seu cuidado jogado no lixo depois de me socorrer,
então por você eu preciso do meu limite ir além.
Mas eu não sou a pessoa boa que você acha,
e fere-me tanto saber o quanto você me estima,
fere-me tanto guardar tanta coisa que me mata,
mas se te matasse eu também nunca me perdoaria.
Acho-me fraca quando você do meu coração tem dó,
meus reles sentimentos agitam-se, mas nada adiantou,
não consigo mitigar esse machucado que me restou,
eu sou uma falha por eu me sentir tão só?
O Sol e o céu desapareceram juntos a ti,
nossa distância emocional é uma prova do meu lapso?
O trauma do seu "sinto muito" dificulta-me de sorrir,
dói demais sentir que o meu apogeu está despedaçado.
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