Monotonia Monolítica

Monotonia Monolítica

Dona das minhas lágrimas, eu me acabo nelas
mas elas nunca acabam, são infinitas e formam um mar,
queria saber como você tem a posse de todas elas,
é tão sedenta assim por algo que não pode acabar?
Afinal, sou a garota que só se expressa por poemas, bem difícil de lidar,
odeio quando você reclama do quanto eu te superestimo,
enquanto destruo a saúde mental de todas as pessoas que tentam me ajudar,
você em poucos meses já me salvou de dois suicídios,
enquanto sou a falha da nossa polifonia,
sua paixão policromática concede vida a tantas aquarelas
em contraste com a minha própria monomania
tão doente de reviver traumas, gatilhos, horrores e sequelas,
a culpa do meu moralismo fútil de ter ferido você ainda ressoa,
os meus ressentimentos contra mim mesma transparecem,
mostram que eu ainda sou uma péssima pessoa,
olho no espelho e as minhas outras faces reaparecem,
amar e tratar bem são duas coisas muito diferentes,
amo quem eu não sei tratar com gosto e odeio com quem tenho cortesia,
quando eu me lembro disso volto a ficar deprimente,
maldito vício meu de poetisa de gostar de ficar aflita,
ele faz parte da Monotonia Monolítica do meu pobre ser,
mais uma vez escrevendo sobre sofrer por não te entender,
mais um dia chorando com a confusão da minha vida sempre desejando morrer
e mais uma semana não tendo coragem de mostrar minhas poesias para você.

Dona das minhas lágrimas,
vou-me embora pra Pasárgada ansiando encontrar-te,
já que aqui no meu inferno o rei odeia-me, as mulheres são nojentas,
as camas são quebradas, e não tem nenhuma graça sem a tua maldade,
mas perco-me no caminho, nem a minha tristeza aguenta,
e nesta noite que não acaba só ressalta a tua demoníaca beldade,
enquanto mato-me de uma forma tão ríspida e violenta
a luz da lua reflete-me e eu comecei a entender o porquê da minha luta:
Pasárgada é qualquer lugar do universo onde eu posso estar de tu junta.

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