Paradoxo Errático
Se a verdadeira desculpa é a pedida,
de forma natural e original,
a pessoa ferida pode se levar com a vida,
enquanto a culpada se afoga no mar do mal.
Eu culpo a culpa por me culpar pela noite e pelo dia,
mas ela tem meu rosto e a minha voz,
sempre habita o espelho que meu reflexo falho tira,
o embate da desculpa e do perdão me deixa só.
Requisitos indiretos contam como naturais?
São direcionados pro núcleo do meu coração,
o embuste é verdadeiro quando a memória cai,
o erro culposo não é leviano, mas é a aflição.
O Leviatã agita as águas passadas e futuras,
as presentes são paradas, ácidas e pra baixo me puxam,
minha pulsão da morte é uma sinfonia acústica,
Tânatos, Hades ou Caronte? Podem ser os três que difundam.
Minha pulsão da vida carrega ambivalência,
outrora foi intensa e ávida, mas hoje é inexistente,
Eros se suicidou quando viu minha aparência,
mãos visíveis intangíveis me estrangulam de repente.
Eu não consigo tirar o peso da culpa pra mim,
nem pro mundo e nem pro sopro místico do destino,
mas seria desculpa ou perdão? Teriam algum fim?
O punhal da incerteza perfura meu ego triste e nítido.
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