Corda
Amarrei uma corda no teto,
botei uma escada na sua frente,
quero expurgar os meus restos,
a minha razão e os meus sentimentos entendem.
Demônios e anjos me perguntaram se eu quero mesmo isso,
hilário, estou com um nó na garganta só de a encarar,
não consigo os responder, mas até agora eu hesito,
coragem nunca foi o meu forte, sempre desintegra-se no ar.
Eu sou fracassada, não há mais esperança,
estou sempre de luto sozinha, chorando por não saber com tudo lidar.
Eu sou muito fraca, tremo como uma assustada criança,
esforços rendem-me frutos estragados junto com um verme que tenta me rasgar.
Perdi o meu poder de me perder nos meus devaneios,
rendi-me à solidão absoluta, nasci sozinha e morrerei sozinha,
destino amaldiçoado, tudo que me restou foram meus próprios medos e receios,
pelo menos a lua me observa de longe nessa noite fria, ela está tão linda.
A sua luz me relembrou de memórias boas,
inspirações, veleidades, sonhos, desejos e vontades.
Vozes e imagens antigas, o meu passado na minha alma ressoa,
tenho medo de não conseguir lembrar dos tempos de felicidade.
Para que evitar que isso ocorra, descerei para o Inferno com eles na mente,
visita só de ida para o Nono Círculo, onde observarei Cocite para sempre.
Não sei se ficar fantasiando isso é mais uma prova que eu virei uma doente,
se estou na chuva de sangue é para me molhar com o sangue quente.
A brisa do vento invade pela janela, assopra meu rosto,
ela me dá calafrios, por isso da outra ideia eu desisti,
me jogar e cair no meio-fio, eu vou odiar ter meu corpo exposto,
aqui posso morrer sem ninguém ver e saber, apenas eu que vou sentir.
Isso vai cortar o mal pela raiz
formado pela essência contaminada, enfim,
vou parar de enrolar e completar o plano infeliz,
finalmente essa história vai ter um fim.
Subo no primeiro degrau, respiro fundo,
subo no último degrau, mas que infortúnio,
a corda rompeu em um segundo,
a preguiça de amarrar ela de novo me toma,
apenas o desgosto me sobra,
deixa para lá, eu tento outra hora.
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