Orquídea Envenenada

Orquídea Envenenada

A Orquídea está tão cansada de tentar se desabrochar, que não importa o quanto ela tente, ela sempre está a se decepcionar por ser a eterna única flor amaldiçoada do jardim. Ela anseia logo pelo seu próprio fim. A Orquídea observa tanto a lua, que começou a se perder na sua imaginação crua, um amalgamo de felicidade com desespero. Ela sonha com os seus momentos mais serenos. A Orquídea tem tanta angústia, que a sua inquietação muito se intensifica, ela quer tanto se mexer mas não consegue. Ela não quer mais que a reguem. A Orquídea odeia tanto o presente, que sempre que vê a data ela ressente, a flor não tem domínio dos seus próprios sentimentos. Ela recorrentemente revive seus arrependimentos. A Orquídea se prende tanto na depressão, que começou a ter dificuldades de cultivar sua razão, ela fica descontrolada com o que está acontecendo na sua vida. Ela chora toda noite pela sua avidez ter sido finita. A Orquídea se perde tanto na sua solidão, que seu vazio começou a tomá-la sem perdão, já que para pecadoras não tem segunda tentativa. Ela perdeu a última coisa que a mantinha. A Orquídea tem tantas mágoas, que por ser tão efêmera, se acaba nas suas lágrimas, a flor queria ser eterna junto àquela. Ela não se encaixa em nenhuma aquarela. A Orquídea quer tanto as outras flores dar orgulho, que quer que todo o planeta escute o seu barulho, isso até ela lembrar que ela é indigna. Ela não passa de uma flor pífia. A Orquídea tem tantos ataques de pânico quando fica perto das outras flores, que começou a ver o mundo inteiro com menos cores, já que a sua cor especial não está mais em sintonia. Ela está num triste solo cantando a sua melodia. A Orquídea entra em tanto desespero por não saber conversar com a flor introvertida, que a sua pateticidade faz ela começar a ser ignorada e esquecida, e assim aumentar sua distimia. Ela tem a si mesma reprimida. A Orquídea tem tanta falta daquele calor, que ela começou a achar que nunca existiu amor, que sentimentos são uma completa farsa. Hoje, apenas ansiedade ela alastra. A Orquídea tem tanta carência, que nem mesmo reconhece a sua própria aparência, um fenótipo de uma flor nojenta e repulsiva. A sua aflição não é mais figurativa. A Orquídea relembra tanto todos os seus medos, que perdeu a esperança de poder vencê-los, ela apenas fica parada, sem fazer nada. Ela quer que a sua única raiz seja arrancada. A Orquídea não aguenta mais estar em tantos prantos, que quer ficar rodeada de agrotóxicos num canto, ficar lá até que toda a sua vitalidade seja retirada. Ela tem muitos problemas em ser amada. A Orquídea carrega tanta amargura, que começou a cair em plena dor aguda, e se as outras flores virem as coisas que ela faz, ficarão incrédulas. Ela se odeia tanto que tenta arrancar suas próprias pétalas. A Orquídea começou a contar quantas caem na maré, "bem me quer, mal me quer...", e como sempre ninguém a quer, começou a desejar não ser mais uma flor, mas ser um adubo que não sente mais dor.

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